quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Vida e Obras de João Batista Pinheiro


Aguardem:

Este conteúdo faz parte de meu próximo livro: "AICEB, uma história de amor"



“Deus escolhe as cousas fracas do mundo para envergonhar as fortes.” (1 Co. 1:28).

João Batista nasceu em 1850, num pequeno povoado a sudeste do Ceará chamado Icó. Filho de uma família muito pobre e, quando ainda criança, ajudando o pai na lavoura, foi atingido no polegar do pé direito por uma enxada. Por causa disto contraiu framboésia, uma erupção cutânea própria dos trópicos. Com o passar do tempo a perna foi inchando e por causa das feridas, atraia muitas moscas, piorando ainda mais a situação de João Batista. Não demorou muito para que todo o seu corpo fosse atingido. Algumas partes foram mais prejudicadas. No nariz saiu uma ferida que em pouco tempo o destruiu totalmente. Na adolescência, sua família o levou para a cidade grande em busca de tratamento médico. Enquanto aguardava, vivia momentos de grande esperança e ansiedade, pois não sabia o que de fato aconteceria com sua perna já bem infeccionada. Os médicos fizeram tudo o que puderam, mas na tentativa de salvar-lhe a vida, tiveram que amputar sua perna direita, o que o levou a frustrações e desencorajamento.
Em 1877, a região Nordeste, mais especificamente o sertão do Ceará, foi violentamente atacada por grande seca. O Governo, tentando amenizar o sofrimento de seus liderados, providenciou meios para aqueles que quisessem ir a outros lugares em busca de melhores dias. Tendo a família de João Batista ouvido falar de que no Estado do Maranhão a vida era mais fácil e com melhores condições, decidiu se mudar para o município de Viana. A viagem foi árdua até chega ao seu destino. Mas não se arrependeu, pois as chuvas eram regulares permitindo ao solo a produção abundante de frutas e legumes.
Com a mudança climática brusca e problemas de adaptação, todos sofreram com febre e outras enfermidades. Isto só piorou ainda mais o estado de saúde de João Batista, obrigando sua família a buscar paragens mais saudáveis e que garantissem, pelo menos, sua melhora. Nesta busca, em 1878, chegaram a Barra do Corda, onde se radicaram definitivamente. Não terminaram aqui os seus sofrimentos. João Batista, com o rosto deformado pela falta do nariz, sem a perna direita e sem condições de trabalho, por causa das dores fortes e porque, de vez em quando, arrebentavam as chagas por toda parte do corpo, vivia praticamente a mercê da proteção dos parentes e das esmolas que recebia de pessoas caridosas. Como se não bastasse, a terrível doença também atingiu, de forma irreversível, a outra perna. Após dois longos anos lutando contra a doença e sem conseguir bons resultados João Batista viajou para São Luís, capital do Maranhão, em busca de auxilio médico, mas de nada adiantou. Já sem condições de qualquer recuperação a outra perna também foi amputada. Agora o futuro lhe parecia ainda mais aterrador.
Após um longo período confinado no hospital, breve João Batista teria que enfrentar as ruas da cidade. O que lhe parecia uma terrível experiência. O medo era grande, especialmente por causa de sua aparência, agora sem nariz e sem as duas pernas destruídos pela doença. Seria difícil ignorar os olhares que lhe lançariam. Seria difícil enfrentar o olhar casual desdenhoso daqueles que passassem "do outro lado." E ainda tinha que zelar por sua segurança. Em seu coração ecoava a grande interrogação: "Por quê?" Bem no fundo havia uma necessidade de entender, um desejo de encontrar algo que satisfizesse a ânsia de seu jovem coração amargurado.
Já recuperado da cirurgia João Batista teria que voltar para perto dos familiares onde tinha sustento garantido. Mas, em vez de voltar para Barra do Corda, resolveu tentar a vida em Manaus - Am. Após dois anos, não atingindo por lá seus objetivos, retornou para São Luís onde conheceu uma moça chamada Mariana. Esta moça estava disposta a compartilhar de suas poucas alegrias e muitos sofrimentos. Ela, além de devotar seu amor e cuidados ao longo de seu casamento, lhe presenteou com cinco filhos: Azubal, José, Tadom, Antônio e Ezequias Batista Pinheiro. De São Luís retornou para Barra do Corda.
Em Barra do Corda João Batista aprendeu a viver dependente das esmolas públicas. E já não ficava tão desapontado quando seu pedido não era atendido, pois no coração ainda brotava uma pequena esperança de aparecer alguém mais caridoso que lhe daria mirradas esmolas. Por causa da falta das pernas sua locomoção se dava sobre uma tábua pequena com rodas. Com o auxilio das mãos, também protegidas com couro, empurrava este improvisado assento que era preso ao seu tronco.
As condições de vida para ele pioraram muito visto que não poderia trabalhar e em Barra do Corda não havia muitas opções para alguém com limitações como as suas. A mendicância ali não lhe rendia o suficiente para sustentar a família. Com isto João Batista resolveu deixar Mariana na companhia de seus parentes e tendo ganhado passagens foi para São Luís e de lá, no seu limite físico, viajou no porão de um navio até Recife-Pe., em busca de recursos financeiros que garantissem o seu sustento.

Seu Encontro com Cristo

João Batista levava na bagagem uma imagem de “Nossa Senhora da Conceição”, que pertencia a sua irmã. Ele a estava levando para renová-la visto que já estava bem desgastada pelo tempo. A única forma que João Batista conhecia de culto era através da idolatria. E aquela imagem, depois de restaurada, serviria como companheira nas calçadas de Recife ao esmolar. Serviria, também, como demonstração de sua devotada fé nas virtudes da imagem. Com certeza aquela cena comoveria o coração dos, também, idolatras que lhe dariam esmolas. Com isto, pensava ele, teria dinheiro para suas despesas pessoais e, quem sabe, também o suficiente para guardar e levar para sua família.
Depois de algum tempo de sofrimento naquele vapor por causa de suas condições físicas e escassez de dinheiro, João Batista chegou a Recife e não demorou muito para conhecer os principais pontos da cidade. Pelas ruas se arrastava em busca de pechinchas para aliviar-lhe a fome ou para esquecer seu tão grande sofrimento.
Numa certa noite depois de mendigar o pão, já bastante desanimado, foi atraído pela musica e cânticos vindos de uma igreja Presbiteriana. Aproximou-se, parou na porta e olhando para dentro da igreja viu que tudo aquilo era totalmente novo para ele. Uma igreja sem altar, nem velas, enfeites ou imagens. Também era novo aquilo que o pregador falava. Pela primeira vez ouviu sobre o evangelho que salva; o único caminho para o céu; Jesus Cristo e o imenso amor de Deus para com o pecador. Pela primeira vez ouviu promessas de vida eterna. Dali em diante passou a visitar com mais freqüência àquela igreja. Reconhecendo seu estado miserável e crendo nas palavras de redenção oferecidas por Cristo, poucos dias depois O aceitou como o único que poderia salvá-lo. Isto aconteceu por volta de 1892.
Logo em seguida foi alimentado espiritualmente pelos seus novos irmãos. Ele tornou-se o ouvinte mais pontual daquele pregador. Também ganhou uma Bíblia e convencido da verdade que havia em Jesus, João começou a estudá-la. Decorou vários trechos (aqueles freqüentemente citados pelo pregador) e aprendia mais e mais sobre a maravilhosa salvação oferecida por Deus a pessoas como ele mesmo. Cristo agora era a razão de sua existência e a Bíblia, a fonte onde encontrava conforto. A velha imagem que antes era sua companheira de mendicância foi abandonada. Consigo, agora, carregava a Bíblia. E a mendicância que antes era apenas um meio de sobrevivência, agora se tornou uma oportunidade para falar de Cristo aos seus benfeitores.
À noite, em sua rede, ele refletia sobre o imenso amor de Deus, sobre o desprendimento de Jesus ao tomar sobre Si a punição dos perdidos pecadores. "Que perdão maravilhoso! E é meu para sempre," disse ele ao reconhecer a graça de Deus. O moço conhecia muito bem o significado do sofrimento e a angústia mental que resultavam da dor física, da ansiedade e da solidão. Mas, o seu sofrimento era pessoal, era resultado de doença. Por outro lado, o puro e santo Filho de Deus havia suportado agonias inomináveis em seu corpo e em sua alma, em favor de outros, porque os amava mesmo sendo eles pecadores. Ele era o único que poderia salvá-Ios porque era puro; o único que podia redimi-los e destruir aquele que os trazia em servidão. "Aleluia," gritou João Batista enquanto meditava no inigualável amor de Cristo para com os pecadores perdidos.
Como esta mensagem era diferente da superstição, feitiçaria e falsos ensinamentos que abundavam naqueles vilarejos ao longo do rio Mearim! João Batista tinha muitos parentes em Barra do Corda. Começou a pensar neles, no temor que eles tinham da morte e da vida futura e na servidão em que a feitiçaria os trazia. Seus parentes e amigos ainda se encontravam presos pelos mesmos grilhões que um dia o haviam prendido. Quanto mais pensava neles, na condição de escravos em que se achavam, mais crescia a vontade de lhes compartilhar a maravilhosa alegria que agora enchia o seu coração. A verdade que o havia libertado poderia também quebrar os grilhões que aprisionavam os seus. Ele sentiu então a necessidade de levar as boas novas até seus parentes em Barra do Corda.

Sua Visão Missionária

Durante a longa viagem de volta para o Maranhão passou por vários lugarejos esmolando para se alimentar. Enquanto isso aproveitava para falar do amor de Deus a todos os que dele se aproximavam. Alguns davam a esmola, outros a negavam por ser ele crente e outros davam com uma condição: “que a aceitasse em nome do santo “fulano”. A estas, João Batista se recusava receber. Durante seu retorno Deus providenciou para que nada lhe faltasse. Pessoas se dispuseram a ajudá-lo no que fosse possível. O testemunho de João Batista era visto através de sua coragem em vencer seus próprios limites
Ao chegar a São Luis, João Batista encontrou um grupo de crentes. Contou para eles suas experiências em Recife e como agora era uma nova criatura em Cristo Jesus. O seu coração se alegrou junto com estes irmãos, onde aprendeu mais da verdade e da segurança que a Palavra de Deus oferece aos que recebem Cristo pela fé. Ele participava dos cultos fielmente e logo se tornou membro daquela igreja. Cada dia aumentou mais o seu desejo de levar as boas novas de salvação aos seus parentes em Barra do Corda. Mas, como poderia um aleijado como ele viajar sozinho de barco pelo rio a cima até Barra do Corda? Alguém precisaria ajudá-Io. Só de pensar que teria de entrar e sair da barcaça várias vezes durante cada dia da viagem para satisfazer suas necessidades fazia com que sua idéia parecesse impossível de ser realizada. Mas, não havia ele ouvido o pregador afirmar que para Deus nada é impossível? João Batista estava convencido de que Deus tinha um plano para ele. O Deus que nunca falha havia colocado um grande desejo em seu coração e, certamente cumpriria estes planos.
João Batista foi conversar com seus novos irmãos daquela pequena igreja. Eles oraram juntos e lhe prometeram fazer tudo que estivesse ao seu alcance para ajudá-Io. Arranjaram-lhe as coisas que precisaria, deram-lhe um hinário e uma Bíblia e o levaram até a barcaça que já estava abarrotada de caixotes, passageiros e sacos de aniagem com sal bruto. Ajudaram-no subir a bordo e prometeram que se lembrariam dele em suas orações. A lancha se aprontava para rebocar a barcaça, que o povo do norte chamava de batelão, rio acima. A viagem tinha uma duração aproximada de duas semanas. Corajosamente João Batista acenou em despedida para seus novos irmãos em Cristo.
Em 1893, retornou para Barra do Corda a fim de anunciar as boas novas aos parentes e amigos. Sabia das dificuldades que certamente enfrentaria por causa dos seus limites, mas ardia em seu coração o desejo de pregar para outros e cria que Deus o ajudaria no retorno para sua cidade. Foi assim que empreendeu uma longa viagem até seu campo missionário, Barra do Corda situada as margens daquele rio.
Como as demais, esta foi uma viagem muito incômoda pois lhe faltavam ambas as pernas para sua locomoção. Tanto os passageiros como as bagagens no batelão eram protegidos do sol e da chuva por um teto de folha de palmeira. Havia pouco espaço para se mover; havia sacos e engradados por todo lado. João Batista precisaria de ajuda para tudo, até para atar sua rede para o descanso da noite. Entre os passageiros encontrou alguns que, vendo sua precária condição, se dispuseram a ajudá-Io em tudo que pudessem. Penduraram sua rede num nível mais baixo, de forma que ele pudesse se arrastar sozinho para dentro. A hora das refeições, aquelas mesmas pessoas prestativas lhe enchiam um prato esmaltado de arroz e feijão retirados de grandes panelas de ferro, que ficavam na popa do batelão sobre fogão à lenha.
O sabor da comida a bordo fez João Batista relembrar sua vida no interior. Para temperar o conteúdo de cada panela o cozinheiro usava um punhado daquele sal bruto. Com grandes colheres de pau ele retirava a espuma que se formava em cima da água fervente. O sal era muito impuro e o que não era sal tinha que ser retirado e jogado fora.
Mesmo assim, o arroz e o feijão feitos ali mantinham aquele sabor distinto do sal bruto.
Durante a viagem ele aprendeu muitas e preciosas lições do Senhor. Uma delas foi a importância daquele sal tão grosseiro, sujo e feio que estava no batelão, mas que tinha a utilidade de dar sabor ao alimento que o sustentou durante aqueles dias. Aplicou aquela lição à própria vida reconhecendo que não era a aparência física que influenciava. Sabia que ainda era imperfeito como aquele sal grosso, mas que Deus o refinaria e o transformaria em algo útil para o Seu trabalho. Reconheceu que o importante era a vida com Deus e o conhecimento de Sua Palavra. João Batista aprendeu na Palavra que ele era o sal da terra “Vos sois o sal da terra.” (Mt. 5:13) Será que todo aquele sofrimento pelo qual ele estava passando não era a poderosa mão do Senhor refinando-o para ser muito bem usado? Ele aprendeu a lição e agora estava disposto a desempenhar o papel de “sal da terra” no meio daquela geração perversa que morava em Barra do Corda. Seus companheiros de viagem reconheceram que havia algo diferente em João Batista. Eles ficavam impressionados com a coragem daquele aleijado em vencer suas próprias dificuldades. João era grato por tudo o que ali faziam por ele, e se mantinha sempre alegre e amigo.

Seu Campo de Trabalho

Ao chegar a Barra do Corda muitas foram as mãos que se dispuseram ajudá-lo a sair da lancha. Seus parentes e amigos vieram recebê-lo e logo notaram grande diferença em João Batista. Não estava triste e abatido como todos esperavam. Apesar de não ter mais as duas pernas, sua aparência era boa e saudável. Parecia feliz e de fato estava. Todos queriam saber das noticias da cidade grande. João Batista não economizou nos detalhes. Mas, existia algo mais importante que ele queria compartilhar. Como ansiava pelo momento de falar para todos sobre a salvação em Cristo. João havia voltado ao interior exclusivamente para divulgar a grande salvação, mas ninguém parecia querer ouví-Io. Mesmo assim ele aproveitava cada oportunidade para testificar de Cristo àqueles que só se interessavam por suas experiências nos hospitais e nas viagens. Mas, a única coisa que ele conseguia era despertar o ódio e desejo de perseguição dos cordinos. Isto o deprimia. A Bíblia e a comunhão com Deus o reanimavam muito e o relembravam da gloriosa missão para a qual foi enviado - “Vós sois o sal da terra.” Deus havia lhe dado aquela missão e junto, também, lhe deu um grande amor e determinação.
Barra do Corda era território de Satanás há muito tempo. O medo aterrorizante de ser punido pela feitiçaria e por seus deuses, por dar ouvidos aquela nova religião, criou uma atmosfera de ódio e violência do no povo contra ele. A irmã de João Batista, dona da imagem que ele havia levado para Recife, também não estava muito satisfeita por ele ter dado fim naquela tão preciosa relíquia. Mas, apesar de tudo, João continuava se reunindo com os que queriam ouvir da Palavra de Deus e aproveitava para dizer que a idolatria era abominação ao Deus verdadeiro.
A notícia se espalhou rapidamente e logo chegou aos ouvidos do padre responsável pela paróquia em Barra do Corda. Durante uma reunião dominical, quando João Batista estava com alguns parentes e amigos estudando a Bíblia, sua casa foi violentamente invadida por alguns homens que tinham o propósito de atacá-lo por ordem do padre. Arrancaram de suas mão a Bíblia e foram entregá-la diretamente ao padre. A noite foi feito uma fogueira na praça da cidade, em frente da Igreja Católica e, como sinal de zelo e sob a aclamação dos fanáticos católicos, o padre lançou o Livro Sagrado dentro do fogo, reduzindo-o a cinzas. O objetivo deste insano ato era de intimida João Batista.
Agora estava o missionário sem sua ferramenta. Mas, perseverou na determinação de pregar o evangelho. Sem demora ele escreveu uma carta aos irmãos em São Luís pedindo mais Bíblias. Pediu também que os irmãos orassem pela sua segurança pessoal. A vida ali para ele estava muito difícil e perigosa.
Enquanto esperava a chegada das Bíblia, João Batista continuou falando às pessoas sobre Cristo, recitando os trechos da Bíblia que já havia decorado. Também cantava hinos que traziam a mensagem de vida eterna. Arrancaram-lhe a Bíblia, mas não puderam arrancar de seu coração o conhecimento de Deus e amor em anunciar Sua Palavra. Em um deste dias, foi violentamente atacado por uma turma de vadios inimigos do evangelho que o ridicularizavam, o agrediram fisicamente com os pés e até o apedrejaram. Ali foram derramadas as primeiras gotas de sangue em Barra do Corda em defesa do evangelho. Vendo aquela horrenda cena, o Juiz de Direito, que a tudo assistia, correu em sua defesa e o livrou daqueles jovens mal intencionados, ameaçando-os severamente.
A onda de oposição que estava se formando finalmente começou a perder força, pois viam que a vida de João Batista era um exemplo vivo da mensagem transformadora de Cristo. O efeito, tanto do seu testemunho quanto de sua pregação, foi tão grande que aos poucos as pessoas foram aceitando Cristo como Salvador. Sua sobrinha foi uma das primeiras a aceitar Cristo, fazendo sua profissão de fé pública. A partir de então, um por um de seus parentes se converteram, abandonando as práticas religiosas falsas. Pacientemente ele começou a ensinar esta pequena congregação tudo o que havia aprendido sobre Deus. Ensinava os versículos e os hinos que havia decorado e que se tornaram preciosos. João Batista e a congregação continuaram orando pela chegada das Bíblias que ansiavam por receber.
Tempos depois chegou a resposta de sua carta. E em lugar de apenas um exemplar da Bíblia estavam chegando quatro. Ao entregar o pacote a João Batista o agente dos Correios fez o seguinte comentário: “É bom que o padre não queime estas, porque senão virão dezesseis Bíblias.” A preocupação de todos era se os inimigos do evangelho também queimariam estas Bíblias. Mas, Deus não permitiu que isto acontecesse. As preciosas páginas foram lidas e relidas por aqueles que sabiam ler e todos foram edificados. Através da leitura da Bíblia João Batista viu muitas pessoas conhecendo a Cristo; vidas sendo transformadas; hábitos pecaminosos sendo abandonados.
Os anos se passaram e, após muitas experiências difíceis, surgiu uma pequena igreja em Barra do Corda. Com o coração agradecido, João Batista viu bons frutos produzidos nas vidas dos crentes. Aquela comunidade que nunca se permitira ouvir o evangelho, agora estava sendo transformada pelo poder deste mesmo evangelho. Um grupo de doze famílias salvas se tornou um exemplo de vida cristã para seus vizinhos curiosos e também hostis. Aos poucos outros foram se convertendo e se ajuntando a seus novos irmãos em Cristo.
Em 1901 as famílias Barros, Caetano, Pinheiro e outras já haviam aceitado a Cristo através do testemunho de João Batista. Eram famílias que viviam do cultivo da terra e, como também compartilhavam da mesma fé, decidiram comprar uma propriedade no lugarejo chamado Lagoa da União, município de Barra do Corda, ficando distante de lá 30 km. Formaram ali uma pequena colônia onde poderiam cultivar a terra e sua fé. Algumas pessoas chamavam aquele lugar de “Centro dos Protestantes”. Abdoral Fernandes da Silva o descreveu assim:
Era uma localidade no centro mais denso da mata, destinada ao abrigo de famílias crentes e pobres que se ocupava de cultivar o solo. Era mata sem fim, sem medida, requerida pelo sistema antigo de posse, cujos limites não se conheciam. Naquele lugar não morava ninguém de outro credo. (SILVA, 1997, p. 16)
Logo uma pequena congregação evangélica surgiu em Barra do Corda como resultado do grande esforço de um homem aleijado do corpo, mas com o coração inteiramente dedicado a pregação do evangelho. O grupo crescia e se tornava cada dia mais carente de conhecimento bíblico. Todos oravam incessantemente ao Senhor pedindo que suprisse a urgente necessidade de mais instrução e conforto diante dos permanentes ataques satânicos. Em 1907 receberam como resposta das orações a visita do primeiro missionário naquela região, Sr. Mackenzi. Em 1910, o missionário W.M. Thompsom, pastor da Igreja Presbiteriana em Caxias - Ma., andou 70 léguas a cavalo até Barra do Corda, para ver de perto aquele punhado de remidos perseverantes. Ali foram confortados mutuamente e antes de sair o Pr. Thompsom prometeu ao grupo que a Igreja em Caxias daria todo o apoio necessário àquela congregação e que, a partir daquela data, ela estaria anexada ao seu campo de trabalho. Nascia naquele momento uma congregação presbiteriana.
Minorou um pouco as necessidades, mas João Batista não estava totalmente satisfeito, pois era necessário alguém que servisse permanentemente ali. Ele já não dispunha de boas condições físicas visto que a doença agora já atingia a visão e audição. As repetidas crises de febre tornavam ainda mais espinhosa a vida daquele missionário. Destinado a viver preso dentro de uma rede, João Batista passou a liderança do trabalho para seu cunhado Joaquim Pinheiro e, pouco ia aos cultos. Quando isto acontecia era resultado de extremo esforço para chegar até lá.
Os anos se passaram e João Batista já velho, doente, cego e praticamente surdo, limitado tanto fisicamente quanto de conhecimento, sentia que aquele grupo necessitava de mais alimento da Palavra. Piorando cada dia e não tendo mais condições de sair em busca do sustento, se deixava ficar na rede a qual foi transformada em altar de oração e ali elevava a Deus o constante pedido: “Pai, manda alguém de tua escolha para ensinar a estes crentes a Tua Palavra, para que possam aprender a evangelizar, aprender também a alegria de testemunhar, para se tornarem o sal verdadeiro nessa região a fim de que Teu nome seja engrandecido. Amem.”

Resposta de Suas Orações

Em Grajaú, cidade também do interior do Maranhão, há 200 km de Barra do Corda, residia os missionários Perrin e Ana Smith . Em 1911, de passagem para São Luís, chegam a Barra do Corda onde embarcariam para a Capital. Milagrosamente a lancha que os levaria nesta viagem precisou demorar no porto. O casal de missionários, já tendo ouvido falar do trabalho realizado por João Batista, decidiu ir até sua casa para conhecê-lo. Quando os visitantes chegaram, o velho evangelista não teve dúvidas de que suas orações tinham sido ouvidas e que o casal era a resposta de Deus. Não podendo esconder a alegria num brado disse: “Hoje Deus respondeu minhas orações.” Agora seu coração poderia descansar sobre o futuro do trabalho que havia começado. E como Simeão ele também poderia dizer: “Agora Senhor, despede em paz o teu servo.” (Lc 2:29).
Dali em diante, sempre que podia, Perrin Smith dava assistência àquela congregação e naquele ano realizou mais de 30 batismos. Os crentes lhe pediram para conseguir alguém que pudesse cuidar daquele rebanho tão carente de pastor, pois João Batista já não poderia mais ajudar devido o seu estado de saúde bastante comprometido. Em atendimento ao apelo feito, Smith se comprometeu em transferiria suas atividades missionárias para Barra do Corda assim que retornasse de suas férias no Canadá. Em 1914, como havia prometido o casal Smith, ao retornar do Canadá, fixou residência em Barra do Corda e continuou o trabalho de evangelização iniciado por João Batista ali na pequena cidade indo com a mesma mensagem por varias cidades e lugarejos do Maranhão.

A Despedida do Missionário

Ainda dois longos anos de sofrimento físico se passaram. No dia 22 de março de 1916 João Batista acordou com febre baixa apesar de estar muito desfalecido por causa das febres altas passadas. Chamou sua filha Azubal e com muita dificuldade, mas com convicção, disse as palavras de Paulo: “Acabei minha carreira”. Poucos minutos depois aquele dia se tornava o melhor de toda a sua existência, pois estava com o Senhor, o que era muito melhor.

Resultados do Ministério de João Batista

Com a chegada de Perrin Smith em Barra do Corda para continuar a obra iniciada por João Batista a cidade foi transformada em um centro de expansão missionária. Aquela congregação, agora igreja organizada, estava prestes a se tornar a mãe de mais uma denominação evangélica no Brasil.

terça-feira, 1 de junho de 2010

E JABEZ OROU AO SENHOR!


INTRODUÇÃO

Jabez tinha um nome que qualquer pessoa odiaria, pois seu significado quer dizer “que causa ou causará dores”. Em 1 Crônicas 4:9 diz: “Com muitas dores o dei à luz”. Não se sabe que tipo de dor sua mãe estava se referindo se era física, emocional ou outra qualquer. O fato é que, o nascimento dele estava relacionado a um tipo de dor e ele não tinha como esquecer este fato, pois o nome o acompanharia pelo resto da vida.
“O nome de Jabez, no hebraico, significa seco, dor, tristeza, sem brilho, pálido, cara de doente, infeliz, um morto ambulante”. (TEIXEIRA, 2002, 9). O que se percebe por estes significados é que Jabez nasceu para ser em fracasso em todos os aspectos, pois “... na Bíblia todo nome tem um significado relacionado à vida e à função do individuo”. (TEIXEIRA, 2002, 9).
Nos tempos bíblicos o significado do nome de Jabez – "dor”, não era um bom presságio para seu futuro. Mas o registro bíblico mostra que ele superou todas as adversidades e se tornou o “mais ilustre entre todos os seus irmãos” (1 Cr 4:9). Qual teria sido a causa desta reviravolta?
Jabez nunca fez parte de nenhum grande evento registrado na Bíblia como Moisés, José, Davi, Paulo, ou os 12 apóstolos. Seu nome está em uma das partes da Bíblia menos lida. Mas, “Havia alguma coisa especial neste homem que foi capaz de levar o historiador a fazer uma pausa na ladainha, limpar a garganta e mudar a forma.” (WILKINSON, 2001, 13). É como se Deus dissesse ao escritor, “tem um homem aqui que é diferente dos demais e vocês precisam saber por que”. Jabez orava. E, em sua oração ele pediu quatro coisas que certamente contribuíram, em muito, para a vida de sucesso e não de derrota como apontava seu nome.
“Pedir é o prelúdio de uma vida de milagres”. (WILKINSON, 2002, 23). Deus vai responder sim ou não. Se o que pedirmos for prejudicial para nós Ele, com certeza dirá não, mas se for para o nosso bem, dirá sim. Ele nunca nos dará nada que seja para ao nosso mal.

1º PEDIDO – “OH! QUE ME ABENÇOES!”
Jabez nasceu na Tribo de Judá e viveu em Israel, no reino do sul, no período dos juizes. Ele cresceu em um ambiente onde ouvia muito sobre Deus, sobre seus grandes feitos. Como tinha libertado Israel e lhe dado uma boa terra. Não era difícil para ele confiar nesse Deus de milagres e recomeço. Então pediu um para si. “Oh! Que me abençoes!”
Mas, o que é abençoar? ”Abençoar significa favorecer, dar prazer, trazer alegria, trazer sucesso.” (WILKINSON, 2002, 21). “... significa pedir ou conceder um favor sobrenatural. Ao clamarmos pela bênção de Deus, não estamos pedindo aquilo que poderíamos conseguir com nosso próprio esforço. Estamos clamando pela maravilhosa e ilimitada bondade que apenas Deus tem poder de conhecer plenamente e de nos conceder. (WILKINSON, 2002, 25).
Não devemos nos esquecer de que Jabez, certamente não tinha tido uma vida muito fácil e o que lhe aguardava também não era um final feliz. Mas ele, que cria no Deus de milagres não exitou em clamar: “Oh! Deus que me abençoes”. Conforme Wilkinson (2001, 24), no hebraico esta frase seria “Abençoe-me muito, mesmo!”
Em Mateus 7:7, 8 diz: “Pedi e dar-se-vos-á…”. Se Cristo disse isto é porque está disposto a ouvir os nossos pedidos. E o pedido aqui é: Oh! Que me abençoes! Favoreça-me, dê-me prazer, alegria, sucesso, etc.
1 Coríntios 2:9 diz que Deus tem preparado benção em abundância para nós. “...mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” Certamente é algo que não podemos fazer, comprar, encontrar em algum lugar. É algo que Deus tem reservado como, milagres, para nós e, só Ele pode nos dá. Por isto a necessidade da oração “Oh! Que o Senhor me abençoe”.
Deus quer nos abençoar, só temos que pedir isto. Pedimos a Deus que abençoe o alimento, nossos familiares, amigos e até em alguns casos, os inimigos. Porque não pedir que “me” abençoe? “Deus deseja que eu queira tanto suas grandes bênçãos que tome a iniciativa – pedindo-as – ou as perderei.” (WILKINSON, 2002, 22). “Nada tendes, porque nada pedis;” (Tg 4:2).

2º PEDIDO – “OH! QUE ME ALARGUES AS FRONTEIRAS”

Além de Jabez ter pedido para que Deus o abençoasse também pediu “que alargues as minhas fronteiras”. Isto significa pedir “… a Deus que engrandeça sua vida de modo que você possa causar maior impacto para ele.” (WILKINSON, 2001, 33)
Fazer esta oração é pedir “... mais influência, maior responsabilidade e mais oportunidades” (WILKINSON, 2001, 33) para serví-Lo. É pedir para ir além do que os outros estão indo. Não se conformar com mediocridades, mas querer fazer e ser mais, a exemplo de Jabez que “Foi mais ilustre do que seus irmãos”. (1 Cr 4:9) É dizer: “Deus, dê-me um ministério maior!”. Com isto vêm as oportunidades que às vezes não estamos preparados para elas. Portanto, junto com este pedido devemos também pedir que Deus nos dê condições físicas, espirituais, emocionais e psicológicas para atingirmos as novas fronteiras. Orar assim é pedir “... por uma vida mais ampla no serviço do Senhor”. (WILKINSON, 2001, 43)
Quando começarmos a orar pedindo que o Senhor amplie nossas fronteiras, se não for para autopromoção, satisfação de desejos egoísta, mas sim para a glória de Deus e edificação do seu povo, Deus vai abrir portas e pôr pessoas em nosso caminho. “Não raro você sentirá medo ao começar apossar-se do novo território para Deus, mas também vai experimentar uma emoção enorme ao sentir Deus conduzi-lo em suas atividades.” (WILKINSON, 2001, 45).
“Orar por fronteiras alongadas é nada menos que pedir um milagre. Um milagre é uma intervenção divina que provoca um evento que normalmente não ocorreria” (WILKINSON, 2001, 47). Deus nunca vai enviar alguém para ajudarmos, ou nos colocar em um lugar em que nós não podemos ajudar. Nós somos instrumentos através dos quais Deus vai realizar sua obra. Por isto não podemos nos esquecer que os resultados todos decorrentes deste alargar de fronteiras é mérito de Deus e não nosso. A Ele toda glória!
Milagre era o que Jabez precisava para mudar o rumo que seu nome apontava – dor e fracasso. Milagre é o que nós precisamos para enfrentar as dificuldades do ministério. Que a motivação desta oração seja: “Eu quero mais de Ti porque quero ser mais usado por Ti.”
Quando pedirmos que “alargues as minhas fronteiras” devemos estar dispostos a abrir mão de nossa zona de conforto onde temos a sensação de repouso e segurança, para assumir novos territórios.
A preguiça, o comodismo e até o mesmo o medo nos impedem de fazermos esta oração. Estas são características de um servo que prefere viver na mediocridade cristã e ministerial. Para alguns o medo é interpretado como sendo uma resposta negativa de Deus sobre um pedido de “alargar fronteiras”. Deus disse a Josué 1:9 “… Sê forte e corajoso…”. Aqueles que têm se deixado usar, poderosamente, por Deus são os que avançam “… para a zona de desconforto porque é exatamente o lugar onde as fronteiras começam a se expandir”. (WILKINSON, 2002, 56)
Quais as fronteiras que você gostaria de pedir para Deus alargar em sua vida?

3º PEDIDO – “QUE SEJA COMIGO TUA MÃO”

O terceiro pedido de Jabez foi para que a mão do Senhor estivesse sobre ele. Mas, o que isto significa? “A mão do Senhor é um termo bíblico para expressar o poder e a dependência de Deus na vida de seu povo”. (WILKINSON, 2001, 59). Exemplos:
• Josué 4:24 - Para que todos os povos da terra conheçam que a mão do SENHOR é forte, a fim de que temais ao SENHOR, vosso Deus, todos os dias.
• Isaías 59:1 - Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir.
• Atos 11:21. A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor.
No Novo Testamento o termo “a mão do Senhor” é representado pelo enchimento do Espírito Santo. Quando Cristo deu a tarefa de “ir fazer discípulos de todas as nações”, estava dando aos discípulos uma grande benção e uma tarefa difícil. Eles eram pessoas com sérios limites, portanto, seria difícil cumprir a grande comissão que lhes foi dada. Mas, Cristo conhecendo cada um, bem como seus limites, deu-lhes o Espírito Santo e seu poder miraculoso para realizar a tarefa, antes impossível. Já cheios do Espírito Santo, veio a conseqüência: “Falavam com intrepidez” (At 4:13; 5:29; 7:51; 9:27). “Apenas Deus, trabalhando através deles, poderia executar os milagres e as conversões em massa que se seguiram.” (WILKINSON, 2001, 60). É como se Deus dissesse “Você não tem idéia de como será incapaz se eu retirar minha mão” (WILKINSON, 2002, 117). Ou seja, se Eu retirar minha mão, vocês não conseguirão. Afinal, “sem mim nada podeis fazer” (Jô 15:5)
Quando pedimos para Deus alargar nossas fronteiras e elas começam a se expandir, começamos a assumir maiores responsabilidades e junto vem o MEDO por acharmos que não vamos conseguir; FRUSTRAÇÕES por não sabermos como resolver certas situações. DÚVIDA e perguntamos: “será que me enganei achando que esta era à vontade de Deus? Tem certeza que sou a pessoa certa para esse trabalho.”
WILKINSON define estes sentimentos como uma fuga da dependência de Deus, pois somos auto-suficientes o bastante para achar que não precisamos depender tanto Dele. E, “…no momento em que você não estiver se sentindo dependente estará deixando de viver verdadeiramente pela fé” (WILKINSON, 2001, 51).
Oportunidades que contradizem nossas habilidades surgem e a primeira idéia é desistir ou não aceitar, mas acabamos aceitando firmados na promessa de que “De maneira alguma te deixarei nunca, jamais te abandonarei.” (Hb 13:5). Isto é dependência de Deus. É por isso que Ele nos coloca nestas situações para que vejamos o milagre e tenhamos a certeza de que Ele esta neste negócio conosco. Dependência para fazermos o mesmo clamor que Jabez fez: “que seja comigo a tua mão”. Aí o Senhor vem em nosso auxilio e demonstra “…sua glória por meio de todas aquelas aparentes impossibilidades” (WILKINSON, 2001, 53)
Porque Jabez não iniciou a sua oração pedindo que a mão do Senhor estivesse sobre ele? Porque ainda não tinha suas fronteiras alargadas e também não tinha consciência desta necessidade. Ele ainda estava no controle. Milagres não estavam acontecendo e sua vida ainda estava dentro da zona de conforto. Mas, com a resposta de seu pedido, suas fronteiras “…começaram a se alargar e tarefas proporcionais ao tamanho de Reino de Deus começaram a se colocar diante deles, Jabez sabia que precisava de uma mão divina – e rápido.” (WILKINSON, 2001, 53).
Jabez poderia ter desistido diante das dificuldades e ter voltado para sua zona de conforto ou ter tentado continuar pelo seu próprio esforço. Mas, viu que não daria certo e preferiu pedir que a mão de Deus estivesse sobre ele. E “…requerer que a mão de Deus esteja sobre nós é a nossa escolha estratégica para que as grandes coisas que Deus está fazendo em nossas vidas se perpetuem e continuem a florescer.” (WILKINSON, 2001, 54). Com isso teremos consciência de que o sucesso não é nosso, mas de Deus. Homens e mulheres que dependem de Deus tem esta atitude humildade porque sabem que toda a sua força e sucesso vêm do Senhor. A Ele toda honra e toda glória! (2 Co 3:5,6). É nesta dimensão que Deus quer que vivamos: em sua dependência.
Em 2 Crônicas 16:9 diz: “Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele.” Deus não está a procura de gigantes espirituais, intelectuais ou talentosos. Deus busca àqueles que são sinceramente leais a Ele. Nossa parte se resume em dar-lhe um coração fiel e desejoso de ser cheio do Espírito Santo. Para nós cristãos, dependência é sinônimo de poder e não de fracasso.
É na nossa impotência que Deus quer agir. Na Bíblia, a mão do Senhor representa poder, presença de Deus, enchimento do Espírito Santo. Não há nenhuma passagem em toda a Bíblia em que “... o enchimento do Espírito Santo seja mencionado e não esteja em conexão com o testemunho do serviço” (WILKINSON, 2002, 82). Ou seja, Deus não enche ninguém que não queira fazer algo para Ele. Que não busque o alargar de suas fronteiras e esteja disposto a pagar o preço.
“Oh! Que esteja sobre mim tua mão. Enche-me com teu Espírito.” Que seja esta a nossa oração. E aí “…veremos resultados tremendos que podem ser explicados somente como vindos da mão de Deus.” (WILKINSON, 2001, 60).

4º PEDIDO – “QUE ME PRESERVES DO MAL!”

O quarto pedido de Jabez foi “Que me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição!”
Bruce Wilkinson ( 2001, 68) diz que “... o sucesso traz consigo grandes oportunidades de fracasso.” Quantos líderes cristãos não caíram em pecado ou foram dispensados do ministério por causa da arrogância. Quantos não caíram por causa do orgulho por terem atingido o status de “estrela” entre os conferencistas, cantores, pregadores entre outros. Receber as bênçãos de Deus sem humildade pode ser um grande perigo, pois o sucesso nos deixa propenso à arrogância.
Agostinho, analisando ao Salmo 140:1 “Livra-me do homem mau...” diz que: “Talvez penses eu algum ladrão e, quando oras, ores com intenção de que Deus te liberte deste ou daquele inimigo teu. Tu mesmo és o homem mau. Quando Deus tiver te libertando do homem mau que tu mesmo és, nada te prejudicará independente de quem quer que seja esse outro homem mau. Que Deus te liberte de ti!” (WEINGARTNER, 2005, 9). O mal pode está em outras pessoas, mas, pode ser que esteja em nós mesmos. Esteja onde estiver, precisamos fazer esta oração de proteção.
Quanto mais andamos nos caminhos cheios das bênçãos do Senhor, mais dardos inflamados do maligno serão lançados contra nós, pois somos uma ameaça ao seu reinado. Por isso precisamos desta oração: “Oh! Que me preserves do mal!”. - Que me preserves da inveja, ciúmes, calúnias, ataques malignos contra a família e reputação. Que me preserves de mim mesmo e do mal que está em meu coração. Nós estamos na batalha e se isto não acontecer, devemos nos preocupar, pois o diabo não está mais interessado em nós, o que significa que não lhe somos ameaça, mas que somos no ministério, líderes infrutíferos e inativos. “Quanto mais poderosamente Deus usá-lo, mas precisará da proteção divina contra a tentação e os ataques diretos do inimigo” (WILKINSON, 2002, 121).
Na oração dominical Cristo ensina seus discípulos a orarem assim: “e não nos deixes cair em tentação, mas, livra-nos do mal.” (Mt 6:13). Do mesmo modo que Deus quer que lhe peçamos mais bênçãos, fronteiras alargadas, e sua mão sobre nós, Ele deseja que peçamos, também, Sua proteção. “As tentações são armadilhas; trate-as com delicadeza e elas voltarão trazendo outras juntas.” (WILKINSON, 2002, 118). E “... a estratégia mais importante para acabar com a tentação é fugir dela completamente.” (WILKINSON, 2002, 98). É evitando-as a qualquer custo.


CONCLUSÃO

Em sua pequena oração Jabez pediu quatro coisas. Aparentemente pedidos corriqueiros e automáticos como muitas vezes fazemos. Mas, uma oração desta, feita em espírito e em verdade (Jo 4:23) pode mudar a vida de qualquer um que a fizer, mesmo daqueles que acham que estão fadados à derrota. “Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido.” (1 Cr 4:10). O poder não está na “oração” como se fosse um amuleto, mas em Deus que sonda os corações que a fazem.
Em vez de se lamentar ou murmurar, Jabez orou, sua vida mudou, foi registrado na história de Israel para servir com testemunho do que Deus fez e pode fazer ainda hoje. Pessoas que têm ousado fazer esta oração têm experimentado mudanças em suas vidas. Mas, muitas outras preferem a murmuração em vez da oração. A Bíblia registra a história de um povo que era especialista em murmuração: Israel – E Moisés disse para eles: “Vocês não estão reclamando de nós, mas de Deus”. (Ex 16:8b)
Quais têm sido as nossas murmurações? Contra os lideres? Porque outros prosperam? Dificuldades no ministério? Familiares? Quais????
A recomendação de Paulo em 1 Coríntios 10:10 – 12 é: “Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador.” “Quantos têm morrido em tantos setores e áreas da vida, pelo fato de estarem contaminando a si mesmo e aos outros com o pecado da murmuração” (TEIXEIRA, 30). Mas, há remédio para a murmuração: Oração e vida com Deus. Jabez, em vez de murmurar por causa de sua vida, orou a Deus.
Deus respondeu a oração de Jabez, o honrou e ele foi considerado mais ilustre do que seus irmãos. Isto porque não se contentou em viver de migalhas ou na mediocridade. Não se deixou intimidar pelo mau presságio que seu nome apontava. Não se sentou no sofá da derrota murmurando. Mas, preferiu crer e depender do Deus que tudo pode, inclusive mudar-lhe o futuro que parecia assombroso.
“Ganhar honras quase sempre significa deixar para trás expectativas medíocres e pressupostos confortáveis.” (WILKINSON, 2001, 84). Deus honra aquele que quer ver suas fronteiras alargadas, não para receber honras humanas, mas, para ser mais usado por Deus.
Ao fazermos esta oração devemos estar dispostos a deixar que Deus trabalhe em nossa vida e através de nós e nos leve para onde Ele quiser. “A vontade dele sempre será para seu bem.” (WILKINSON, 2001, 93). Deus jamais nos dará algo ou nos colocará em um lugar se não for para o nosso bem.


Estudo baseado nas obras:

A oração de Jabez, Bruce Wilkinson. Mundo Cristão, São Paulo: 2001.
A oração de Jabez: devocional, Bruce Wilkinson. Mundo Cristão, São Paulo: 2002
J.a.b.e.z : na rota do sucesso, Ivonildo Teixeira. Hagnos, São Paulo: 2002.
Flores do Jardim de Agostinho, Lindolfo Weingartner. Encontro – Curitiba, 2005.

sábado, 29 de maio de 2010

UM COPO DE LEITE




Um dia, um rapaz pobre que vendia mercadorias de porta em porta para pagarseus estudos viu que só lhe restava uma simples moeda de dez centavos e tinha fome.Decidiu que pediria comida na próxima casa. Porém, seus nervos o traíramquando uma encantadora mulher jovem lhe abriu a porta. Em vez de comidapediu um copo de água. Ela percebeu que o jovem parecia faminto e assim lhedeu um grande copo de leite.Ele bebeu devagar e depois lhe perguntou?Quanto lhe devo? - Não me deves nada - respondeu ela.- Minha mãe sempre nos ensinou a nunca aceitar pagamento por uma ofertacaridosa. Ele disse:- Pois te agradeço de todo coração.Quando Howard Kelly saiu daquela casa, não só se sentiu mais forte fisicamente,
mas também sua fé em Deus e nos homens ficou mais forte.Ele já estava resignado a se render e deixar tudo.Anos depois essa jovem mulher ficou gravemente doente. Os médicos locaisestavam confusos. Finalmente a enviaram a cidade grande, onde chamaram
um especialista para estudar sua rara enfermidade. Chamaram ao Dr, Howard Kelly
para examiná-la, quando escutou o nome do povoado donde ela viera, uma
estranha luz encheu seus olhos. Imediatamente subiu do vestíbulo do hospital
a seu quarto. Vestido com a sua bata de doutor foi ver a paciente.
A reconheceu imediatamente. Retornou ao quarto de observação determinado
a fazer o melhor para salvar aquela vida.À partir daquele dia dedicou atenção especial aquela paciente. Depois deuma demorada luta pela vida da enferma, ganhou a batalha.O Dr. Kelly pediu a administração do hospital que lhe enviasse a fatura total
dos gastos para prová-la. Ele a conferiu e depois escreveu algo e mandou
entregá-la no quarto da paciente.Ela tinha medo de abri-la, porque sabia que levaria o resto da sua vida para
pagar todos os gastos. Mas finalmente abriu a fatura e algo lhe chamoua atenção, pois estava escrito o seguinte:"Pago totalmente faz muitos anos com um copo de leite"
(assinado) Dr. Howard Kelly.


Autor Desconhecido

INCLUSÃO: Opção ou Dever da Igreja?




A excludência do portador de necessidades especiais, doravante denominado apenas de PNE, em todos os setores da sociedade brasileira, tem sido vista a olhos nus. E, apesar de pertencer a um grupo que vive em condições atípicas, tem necessidades comuns às outras pessoas. Não é porque ele é portador de uma necessidade especial que deve ser considerado como uma pessoa inválida, sem condições de contribuir com a sociedade onde está inserido. Muitos PNE, de fato, dependem inteiramente de outras pessoas para sua sobrevivência. Mas, muitos destes têm suas faculdades intelectuais e emocionais preservadas, apesar de terem limites em outras partes do corpo. Nem por isso devem ser excluídos do convívio social ou da participação em grupos específicos da sociedade.
Apesar do movimento de inclusão do PNE na sociedade está acontecendo desde a década de 80, tendo tomado um impulso maior em 90, com prognósticos de que no início do século 21 este seja um problema superado, o que se percebe, ainda, é o descaso, em alguns seguimentos da sociedade, em relação ao PNE tais como: igrejas, empresas, escolas, e até algumas famílias. Que bom seria se os objetivos deste movimento fossem alcançados, assim se veria
... a construção de uma sociedade realmente para todas as pessoas sob a inspiração de novos princípios, dentre os quais se destacam: celebração das diferenças, direito de pertencer, valorização da diversidade humana, solidariedade humanitária, igual importância das minorias e cidadania com qualidade de vida. (SASSAKI, 1999, p.17).
Sassaki (1999, p. 41), define a inclusão social como sendo “... o processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papeis na sociedade.” Como se pode observar a inclusão é um processo onde o excluído e a sociedade deverão buscar soluções para este problema. Seu desenvolvimento integral deverá acontecer dentro do processo de inclusão no meio onde vive. No entanto, o que tem acontecido é um descaso por parte da sociedade em incluir o PNE em seu contexto enquanto ele se retrai e, muitas vezes não vai a busca dos seus direitos. Não é nenhum favor da sociedade recebe-lo e contribuir com seu desenvolvimento, mas é sua responsabilidade. É seu dever.
As vezes a exclusão da sociedade em relação ao PNE não se dá de forma explicita, mas se revela na maneira como são construídos alguns prédios de acesso público como por exemplo, as igrejas. Muitas ainda não se deram conta de que, quando Jesus Cristo disse: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Mc. 16:15), Ele queria dizer que entre “toda criatura” estava o PNE. As igrejas excluem os deficientes físicos quando constroem uma escadaria para dar acesso ao templo onde os fieis se reúnem para cultuar a Deus. Excluem os deficientes auditivos quando não colocam, no seu quadro de colaboradores, pessoas habilitadas para traduzirem, através da linguagem de sinais, o que está acontecendo durante as atividades eclesiásticas. Exclui os deficientes mentais quando prepara sua programação voltada apenas para os intelectualmente sãos. Enfim, exclui todos os PNE quando não se equipa ou habilita pessoas com visão voltada para o “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Mc. 16:15).
Outros segmentos da sociedade que tem excluído o PNE são as entidades empregatícias sejam estatais ou particulares. A Constituição Federal de 1988, no inciso XXXI do artigo7º fala da “proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critério de admissão ao trabalhador portador de deficiência;” (ARAUJO, 1997, p. 61). Ela, também, no inciso VIII do artigo 37º garante trabalho para os PNE. Ela diz: “a Lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão.” (ARAUJO, 1997, p. 62).
Mas, para que o PNE consiga uma colocação, em um órgão público ou privado, é necessário que, antes, ele tenha recebido uma formação profissional adequada para exercer a função para a qual ele está se candidatando. A concorrência é muito grande e, vence sempre quem estiver mais bem preparado. As vezes esta formação não acontece por falta de preparo em muitas escolas que ainda, não se adaptaram para receber o PNE. Neste caso, elas se constituem em escolas excludentes. Poucos são os que podem estudar em uma escola particular com visão inclusiva e aparelhada para tal, apesar de ser uma exigência para todas as escolas. E, mesmo que o PNE tenha sido capacitado para o mercado de trabalho e, em alguns casos esta capacitação tenha sido financiada por grandes empresas, elas próprias não recebem em seu quadro de funcionários os jovens e adultos PNE. “Assim, é possível educar crianças deficientes para posição que lhes serão vedadas quando se tornarem adultos.” (MAZZOTTA, 1982, p. 25).
O que se pode observar é que, nem sempre, o problema está no PNE mas, na própria sociedade que dificulta ou o incapacita para o desempenho do seu papel como cidadão que é, na construção da sociedade em que vive. E, conforme SASSAKI (1997, p. 47), a sociedade faz isto em virtude de:
· seus ambientes restritivos;
· suas políticas discriminatórias e suas atitudes preconceituosas que rejeitam a minoria e todas as formas de diferenças;
· seus discutíveis padrões de normalidade;
· seus objetos e outros bens inacessíveis do ponto de vista físico;
· seus pré-requisitos atingíveis apenas pela maioria aparentemente homogênea;
· sua quase total desinformação sobre necessidades especiais e sobre direitos das pessoas que têm essas necessidades;
· suas práticas discriminatórias em muitos setores da atividade humana.
É pois, responsabilidade da sociedade acabar com todas essas barreiras a fim de que os PNE possam gozar dos seus direitos como cidadãos brasileiros que são, sem reservas, limites ou discriminações e se desenvolverem tanto pessoal, social, educacional, bem como espiritualmente.
Afinal, a inclusão do PNE não é uma opção onde a sociedade o inclui se quiser ou ser for bom para ela, mas, é um dever seu cuidar destes indivíduos como cuida dos outros.

Mana Lobão
Psicopedagoga


REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Luis Alberto David. (1997). A proteção constitucional das pessoas portadoras de deficiência. 2. ed. Brasília: CORDE.
CONSTITUIÇÃO: Republica Federativa do Brasil.(1988). Brasília: Senado Federal. Centro Gráfico.
MASSOTTA, Marcos José da Silveira (1982). Fundamentos da educação especial. São Paulo: Livraria Pioneira Editora.
SASSAKI, Romeu Kazumi. (1999). Inclusão – Construindo uma sociedade para todos. 3. ed. Rio e Janeiro: WVA.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Resumo do Seminário

ELEMENTOS GERADORES DE APRENDIZAGEM

INTRODUÇÃO

A educação cristã tem como finalidade “a formação integral e o preparo de cristãos, professores e pais, que irão instruir e formar outros” (GEORGE, 1993, p.109), “com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, (Ef 4:12). Paulo, em sua carta a Timóteo, complementa, dizendo: “E as palavras que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie-as a homens fieis que sejam também capazes de ensinar outros.” (2 Tm 2:2).
Mas, para que esta educação seja eficiente há a necessidade de que alguns elementos geradores da aprendizagem estejam envolvidos tais como: aluno, recursos didáticos, local de aprendizagem, professor, clareza na instrução e o Espírito Santo.

1 O ALUNO

•Quem é o aluno
O aluno é o indivíduo que vai aprender a matéria. Ele “é responsável por aprender, a despeito da qualidade do professor. O aluno, [...] tem de aprender como se ele fosse 100% responsável.” (WILKINSON, 1998, p. 26) por esse aprendizado.

•Como o aluno aprende

Várias são as formas que o aluno aprende e elas precisam ser respeitadas a fim de que o aluno participe deste processo gerador de aprendizagem.

a)O aluno aprende através dos sentidos
O aluno aprende através dos cinco sentidos: audição, olfato, gustação, tato e visão. E a aprendizagem se torna mais eficiente quando vários ou todos os sentidos são usados na mesma aula. Ramos (2002, p. 46), diz que se aprende:
10% do que se lê; 20 % do que se ouve; 30% do que se vê; 50% do que se ouve e vê; 70% do que se discute; 80% do que se experimenta; e, 95% do que se ensina.

b)O aluno aprende através da interação com outros alunos
Nem sempre a aprendizagem é resultado só do uso dos órgãos do sentido. Ela também pode acontecer através da interação com outras pessoas. Isto significa que na sala de aula, de uma forma ou de outra, todos podem aprender e todos podem ensinar.
Na aprendizagem cooperativa ou interativa onde, todos ensinam e todos aprendem, torna o processo de pensar mais estimulante e rico. Todos entendem que ninguém é sábio o suficiente que não precise mais aprender ou que ninguém é indouto o bastante que não possa ensinar algo. Ramos (2002, p. 47), diz que “primeiro nós aprendemos em interação com os outros e somente depois individualmente num processo de internalização.”

c) O aluno aprende através do seu estilo pessoal de aprendizagem
Cada aluno aprende de forma diferente e estas diferenças devem ser respeitadas. A falta de conhecimento, tanto do aluno quanto do professor, sobre o fato de que cada um tem seu estilo próprio de aprender, pode dificultar o processo ensino-aprendizagem, pois no caso desta dificuldade acontecer, ambos podem achar que é o aluno o incapacitado para aprender e nunca o professor, para ensinar.

•Estilos de aprendizagem conforme Marlene D. LeFever

Marlene D. LeFever (2002), apresenta quatro estilos básicos de aprendizagem:
O aprendiz interativo aprende melhor quando ouve e compartilha idéias. Com muita facilidade ele fala de suas experiências e esta iniciativa pode promover aprendizagem entre todos.

O aprendiz analítico aprende melhor analisando as situações. Normalmente é bom observador e ouvinte. Pouco fala, mas aprende muito avaliando as informações que estão sendo dadas em sala de aula.

O aprendiz pragmático aprende melhor quando percebe o valor prático do conteúdo que lhe está sendo passado. Aprende melhor quando o professor promove um aprender combinado com fazer.

O aprendiz dinâmico aprende melhor quando a ação faz parte do processo de aprendizagem. Assim que ocorre o aprendizado, o dinâmico logo procura uma forma criativa para usar o que aprendeu.

• Estilos de aprendizagem conforme Cosete Ramos

O aprendiz visual processa melhor as informações quando as vê. Interage melhor com imagens, quer sejam apresentadas em forma de palavra escrita, figuras, ilustrações ou desenho.

O aprendiz auditivo precisa ouvir para poder aprender melhor. São alunos que aprendem mais quando ouvem a própria voz ou a de quem está contribuindo com sua formação. Geralmente não gostam de atividades que envolvam papel e lápis.

O aprendiz sinestésico aprende melhor através de movimentos ou toques. São alunos que aprendem enquanto agem. Atividades como dramatização, dança, artes manuais, jogos entre outros, despertam, muito, sua atenção.
Ao elaborar seu planejamento instrucional o professor precisa levar em consideração e respeito os vários estilos do seu aluno aprender.

2 RECURSOS DIDÁTICOS

A importância do uso de recursos didáticos não é apenas “ilustrar uma apresentação oral do professor, e sim ajudar o aluno a pensar e sentir a realidade” (TULER, 2003, p. 40). Recursos didáticos foram amplamente utilizados na Bíblia: O sacrifício de animais e as cerimônias no Antigo Testamento; No Novo Testamento Jesus lançou mãos de muitos recursos.
Gangel e Hendricks (1999, p. 244) mostram a importância do uso de recursos visuais para a estimulação da memória e que resulta em um aprendizado eficiente.

Métodos de
Comunicação Lembrança Lembrança
3 horas depois 3 dias depois

Quando o professor só fala .................. 70%......................... 10%
Quando o professor só mostra............. 72%.......................... 20%
Quando o professor usa uma
combinação de falar e mostrar............ 85% ........................ 65%

• Como Facilitar a Aprendizagem do Aluno?
Existem várias formas e uma delas é o uso de bons recursos didáticos.
O uso de recursos depende do propósito do professor. Há um objetivo especial para se usar certos recursos? Eles são realmente bons, úteis e necessários? O que ficará na mente do aluno, os recursos usados ou a aplicação e compreensão da mensagem? O propósito do professor ao usar recursos didáticos deve ser o de tornar o mais claro e prático possível o ensino para seus alunos, permitindo-lhes uma aprendizagem relevante.
O uso de recursos depende da habilidade do professor. O “professor precisa dominar o uso de ferramentas básicas de ensino [...] antes de se meter a adotar perspectivas inovadoras.” (COLEMAN, 1995, p.157).
O uso de recursos depende da habilidade do aluno aprender. Alguns aprendem mais rápido outros, de forma mais lenta. Alguns recursos não são indicados para certos tipos de alunos. Por exemplo: métodos visuais não devem ser usados em uma aula para pessoas com a integridade visual comprometida.
O uso de recursos depende do tamanho do grupo – Alguns recursos não são indicados para certos tipos de grupos ou ambientes. Por exemplo: retroprojetor não é indicado para um grupo muito grande ou em local aberto e durante o dia.
O uso de recursos depende do tempo disponível –Se o professor tem um tempo limitado para dar sua aula o melhor método é aquele que poderá ser usado, com sucesso, dentro daquele limite.
O uso de recursos depende do equipamento necessário – O planejamento do uso de um recurso deve incluir saber se o equipamento a ser usado estará disponível. O improviso pode prejudicar a comunicação do conteúdo e dificultar a aprendizagem.
• Alguns recursos didáticos
a) Alguns recursos didáticos que estimulam a visão
O cartaz; Mapa; O retroprojetor; O data show.
b) Alguns recursos que estimulam a audição e visão
O filme; As histórias; A música; Computador.
c) Alguns recursos que estimulam o olfato, o tato e a gustação
O lúdico; A arte; Passeio pela Fazenda; A Culinária;

A diversificação na maneira como se ensina e o uso de recursos apropriados produz uma aprendizagem significativa
Vamos fazer um exercício: Qual o assunto da sua próxima aula? Agora olhe à sua volta, ai mesmo onde está e tente encontrar um objeto que possa visualizar sua lição. Uns recursos podem ser comprados, mas outros só precisam ser “emprestados”.

3 O LOCAL DA APRENDIZAGEM

• O Que é a Escola?
A escola é um lugar onde professor e aluno se reúnem para colaborar com o desenvolvimento, quer seja intelectual, afetivo-emocional, motor, social ou profissional de ambos.

• Como elemento gerador de aprendizagem a sala de aula deve ter:
a)Criar um clima de amizade entre a população escolar.
b)Selecionar conteúdos que sejam relevantes para a prática diária.
c)Abrir espaço para os alunos questionarem.
d)Criar um sistema de avaliação que descaracterize o testar para aprovar ou reprovar.

• A Escola Bíblica Dominical X Escola Secular
Ambas: Têm a função de ensinar; Usam métodos e meios para ensinar; Separam os alunos por idade.
Diferem: Escola Secular - Funciona 5 dias por semana; Funciona 5 horas por dia;Tem férias; Dá certificado de conclusão; Prepara bons profissionais para o mercado de trabalho.
EBD - Funciona 1 dia por semana; Funciona 1 hora por dia (+ ou -); Não tem férias; Não dá certificado de conclusão; Prepara bons cristãos.

4. CLAREZA NA INSTRUÇÃO

Um dos componentes mais significativos de um professor eficaz é a clareza. Existem alguns comportamentos básicos que descrevem o professor claro:
• Algumas Características de um Professor Claro
a)Linguagem Correta e Pronúncia Articulada – “poblema, muitas das vezes”.
b)Repetição
c)Detalhe
d)Ênfase
e)Destaque
f)Verificação do Entendimento do Aluno
g)Ajustamento ao Nível do Grupo
h)Explicação / Exemplificação
i)Relação Conceito - Prática
Esses comportamentos de um professor claro não são executados isoladamente, mas de forma interdependente de modo a se integrarem e interagirem entre si durante todo o processo ensino-aprendizagem.

• Alguns comportamentos de um professor obscuro
Assim como existem comportamento de um professor claro, também, estão presentes em sala de aula, comportamentos denominados de confusão ou obscuridade na instrução.
a)Termos Vagos – “ mais ou menos, pode ser,” entre outros.
b)Hesitações Verbais – “a..., ã..., né, é...” entre outros.
c)Conteúdo Digressivo – “desvio de rumo ou do assunto”
Estes comportamentos prejudicam a clareza do professor, consequentemente, a aprendizagem do aluno. Cada professor deve analisar-se a si mesmo para verificar, à luz destas informações, que tipo de professor está sendo: claro ou confuso?

5.O PROFESSOR

O professor é o elemento de maior responsabilidade em sala de aula, pois é ele quem vai orientar o aluno no processo da aprendizagem.

• Como o Professor se constitui elemento gerador de aprendizagem?

a) Através da Interação em sala de aula
Se na sala de aula todos aprendem e todos ensinam, o professor, também, aprende muito com esta interação. Agindo assim, o professor permitirá que ambos enriqueçam seu saber.

b) Relação professor-aluno
Hendricks (1991, p. 96) diz que “Toda aprendizagem começa ao nível da emoção [...]”. A pessoa aceita aquilo que quer aceitar e rejeita o que quer rejeitar. Se a atitude do aluno para com o professor for positiva, ele aceitará o ensino do professor. Se ela for negativa, ele rejeitará o conteúdo que o professor está ministrando porque rejeita a pessoa do professor.

c) Preparo do professor
Muitas vezes a maneira como o professor ensina pode se constituir verdadeiros motivos para fracasso escolar dos alunos. É ele quem vai conduzir todo o processo de ensino-aprendizagem. Qualquer erro neste processo poderá representar prejuízos em todos os aspectos da vida do seu aluno. Por isso a necessidade de professores bem capacitados.

6 ESPÍRITO SANTO

• Funções do Espírito Santo
O Espírito Santo é Deus em sua plenitude. Em relação a humanidade ele tem algumas funções, tanto para os seus filhos como para aqueles que ainda não o são.
a) Consolador - “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco” (Jo 14:16);
b) Distribui Dons Espirituais - “Todas estas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, como quer.” (1 Co 12:11).
c) Executor da Salvação - É Ele quem “convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16:7,8).
d) Realizador da Obra - E em João 15:5 diz: “Sem mim nada podeis fazer.”
“Os mestres humanos (Ef 4:11,12) estão em adição ao Espírito, não em substituição a Ele” (HENDRICKS, 2000, p. 36). Ele ainda afirma que “Só pelo Espírito Santo os professores podem ser guiados e capacitados a ensinar efetivamente a Bíblia e assuntos relacionados.”

CONSIDERAÇÕES FINAIS

E assim, juntos, o aluno, recursos didáticos, o local, o professor, a clareza na comunicação e, o Espírito Santo poderão se tornar elementos geradores da aprendizagem. Cada um destes elementos tem papel importante no processo ensino-aprendizagem. Se um, ou mais, destes elementos estiver sendo negligenciado todo o processo poderá ser comprometido dificultando, assim, a aquisição do conhecimento por parte do aluno.
A Escoa Bíblica precisa desenvolver um ministério educacional que possibilite as pessoas chegarem à maturidade cristã a fim de contribuírem como bons servos no ministério eclesiástico e como cidadãos na sociedade onde então inseridos. E para que isto aconteça é necessário um investimento exaustivo nestes elementos geradores da aprendizagem, pois se qualquer um deles falhar haverá grandes obstáculos à aprendizagem (considerando o fato de que o Espírito Santo não falha, mas nós falhamos em não incluí-lo).


REFERÊNCIAS

DUTTON, Garner Allen. O Espírito Santo de Deus – no eterno propósito. São Paulo: Vida Cristã, 1980.
FORD, Leroy. Ensino dinâmico e criativo. Rio de Janeiro: JUERP, 1995.
GANGEL, Kenneth O.; HENDRICKS, Howard G. Manual de ensino para o educador cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
GEORGE, Sherron K. Igreja ensinadora. Luz Para o Caminho, Campinas - São Paulo: 1993.
HENDRICKS, Howard. Ensinando para transformar vidas. Venda Nova, MG: Betânia, 1991.
LEFEVER, Marlene. Estilos de aprendizagem: como alcançar cada um que Deus lhe confiou para ensinar. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
MENDES, Wohglaides Lobão. Nova realidade para a escola bíblica dominical. São Luis: Grafias, 2006.
RAMOS, Cosete. O despertar do gênio: aprendendo com o cérebro inteiro. Rio de Janeiro: Qualiymark Ed., 2002.
TULER, Marcos. Recursos didáticos para escola dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
WILKINSON, Bruce. As 7 leis do aprendizado. Venda Nova, MG: Betânia, 1998.


aRcc/wlm

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

EU, Educador Cristão?



Esta mensagem é a abertura do livro
"Emenentos Geradores de Aprendizagem"
de Mana Lobão

Moisés estava pastoreando o rebanho de seu sogro Jetro quando, de repente, viu um arbusto em chamas, mas o fogo não o consumia. Aquilo lhe chamou a atenção e se aproximou. Então ouviu uma voz dizendo: Moisés, Moisés. Ele respondeu: Eis-me aqui! Então disse Deus: “Não se aproxime. Tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que você está é terra santa (Êx 3:5).” O Senhor continuou: “Ouvi o clamor de Israel e desci para salvá-lo”. A partir daí Deus mostra para Moisés quais seus planos em relação a ele.

I - Chamada de Deus à Moisés - Êxodo 3 e 4

A proposta de Deus em relação a Moisés foi para ele tirar o Seu povo da escravidão egípcia e levá-lo à terra prometida (Êx 3:8) onde este povo seria senhor da terra e não escravo. Moisés em vez de colocar-se à disposição de Deus para realizar esta tarefa, debulhou um rosário de desculpas. Cada vez que Moisés dava uma desculpa Deus lhe mostrava a solução.

1a desculpa (Ex 3:11) - EU? Quem sou eu para que acreditem? Sou tão insignificante!

SOLUÇÃO (Ex 3:11) - Disse Deus: “Eu serei contigo”. Quem iria fazer o trabalho, na verdade, seria Deus. Ele só queria um instrumento humano disponível e comprometido para realizar Sua obra.

2a desculpa (4:1) - EU? “Não crerão em mim”.

SOLUÇÃO (4:2-9) - “sinais te acompanharão para que creiam que o Senhor te enviou”. Na verdade, eles deveriam crer em Deus e no que faria através de Moisés.

3a desculpa (4:10) - EU? “eu nunca fui eloqüente, sou pesado de boca e de língua”. Moisés era o filho adotivo da filha de Faraó e certamente foi instruído com os melhores mestres do Egito, agora diz que não sabe falar? Como filho da filha de Faraó, Moisés seria o sucessor do trono e para isto estava recebendo muita instrução. Será que esqueceu de tudo o que aprendeu? Ou era mais uma desculpa para não aceitar o que Deus estava lhe oferecendo para fazer?

SOLUÇÃO (4:11,12) - “Eu serei com a tua boca. Eu falarei e tu repetirás”.
Moisés já sem desculpas, diz exatamente o que queria dizer desde o princípio.

4a desculpa (4:13) - EU? “manda quem tu quiseres mandar, menos a mim”.

SOLUÇÃO (4:14,15) - “eu serei com a tua boca e com a dele”.

Agora sem argumentos ou desculpas, finalmente Moisés obedeceu, deu-se, dedicou-se, consagrou-se, comprometeu-se para aquela tarefa e foi uma bênção. O povo foi levado pelo deserto e Deus, durante o percurso, cumpriu com todas as promessas que havia feito a Moisés.

II - Nosso Chamado

Jesus em João 15:16 diz: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi para que vades e deis frutos e ele permaneça”. O que tem acontecido é que muitas vezes nós temos agido, exatamente, como Moisés e damos as mesmas desculpas quando Deus nos escolhe para uma determinada tarefa no corpo de Cristo. E dizemos:

• EU? Quem sou eu para fazer isto ou aquilo. Não tenho nenhuma habilidade, não tenho dons.
É o Espírito Santo quem nos dá dons espirituais para que sirvamos no corpo de Cristo, onde e como Ele mesmo quer. “Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, como quer.” (1 Co 12:11). E, através de nós Ele mesmo realiza Seu trabalho. Deus não está interessado em nosso trabalho, o que Ele quer é trabalhar através de nós.

• EU? Não vão acreditar no que digo.
Por que não acreditariam? Estamos dando algum motivo para isto? Nosso testemunho está sendo esse empecilho? Ele pode impedir que ouçam o que dizemos. O que somos fala mais alto do que nossas palavras. Precisamos ser praticantes da Palavra e não apenas leitores, ouvintes, a fim de que ao falarmos desta Palavra creiam que ela é a Palavra de Deus (Tg 1.22).

• EU? Eu não sei falar, não sei fazer, não sei isto, não sei aquilo.
Esta é uma das desculpas mais usadas por nós quando não queremos assumir uma responsabilidade no Corpo de Cristo. “O SENHOR deu sabedoria a Salomão, como lhe havia prometido (1 Rs 5.12)”. E, “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida (Tg 1.5)”. A Bíblia diz que se alguém precisa de sabedoria deve pedi-la a Deus em vez de rejeitar uma atividade no Seu Corpo com a desculpa de que não sabe fazer.
Com certeza não temos capacidade para fazer todas as coisas, mas temos capacidade para fazer muitas coisas. E é exatamente ali que Deus quer que sirvamos. “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum (1 Co 12.7)”. Deus não vai exigir mais do que podemos fazer. Também, não vai aceitar menos do que podemos fazer.

• EU? “Deixe-me aqui no meu canto. Senhor peça para outro fazer”.
Nas igrejas congregacionais a escolha de professores de EBD é realizada pela congregação. Ali pessoas são convidadas para assumir tal função, mas muitas delas não aceitam pelos mais variados motivos. Muitas vezes nós, ou por acomodação, preguiça, falta de interesse, timidez, ou por quaisquer outras desculpas dizemos como Moisés: “manda outro, menos a mim”. Com isto perdemos o privilégio de sermos usados por Deus em sua obra.

III - A Recompensa da Vocação

No serviço cristão há momentos difíceis, mas também “há recompensas gloriosas – às vezes, no presente e, sempre, no porvir...” (Oliveira, 1983, p.54) para aqueles que se mantêm fieis, obedientes e comprometidos.
Veja alguns exemplos bíblicos:

Abraão (Gn 12:2) - “Farei de ti uma grande nação”. Hoje não se pode contar os descendentes de Abraão;

Moisés (Êx 3) – “Eu estarei com você. Esta é a prova de que sou eu quem o envia.” E por 40 anos o Senhor foi com Moisés;

Discípulos de Cristo (Mt 28:20) – “e eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos.” Ainda hoje os discípulos de Cristo contam com sua presença e ajuda;

Servo fiel (Mt 25:21) – “Foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu Senhor.” Para que eu receba uma grande responsabilidade preciso começar com uma pequena. Se eu for fiel nela, receberei uma maior. Mas se não honro a pequena que me foi dada, até esta me será tirada (Mt 25.26-28).

E EU? – Qual será a minha recompensa? Será diferente dos outros escolhidos por Deus? Certamente não. Se agir com compromisso e fidelidade como eles o fizeram, também ouvirei:
“Eu serei contigo, servo bom e fiel.”

Amém!

Mana Lobão

“E Perseveravam...”


Atos 2:42- 47

Jesus nasceu, viveu, desenvolveu seu ministério, morreu, ressuscitou, ficou por 40 dias entre seus discípulos. E, antes de ser assunto aos céus, chamou-os e lhes deu mais algumas instruções.
Em Atos 1:4 Cristo diz para seus discípulos: “não saiam de Jerusalém (...) esperem o cumprimento da promessa que fiz sobre o Espírito Santo”. Em Atos 1:8 diz: “quando o Espírito Santo vier vocês vão receber o poder para serem minhas testemunhas.” E em Atos 2:1 a promessa é cumprida, o Espírito Santo vem e todos os que obedeceram ficando ali, foram cheios Dele. Naquele momento Pedro, já cheio do Espírito Santo, deu sua primeira mensagem (At. 2:14 – 41). Quase 3 mil pessoas aceitaram a Palavra e foram batizados.
O que me chamou a atenção foi a forma como estes “quase 3 mil” novos membros viviam.

A – Em Atos 2: 42 diz que eles perseveravam.

• PERSEVERAVAM NA DOUTRINA

Neste ponto podemos destacar 3 bons motivos para esta perseverança.
1- Crescimento pessoal – Eles estavam saindo de uma forma religiosa diferente do cristianismo e tinham necessidade de saber mais sobre as doutrinas cristãs ensinadas pelos apóstolos. Queriam conhecer mais sobre Deus a quem amavam e serviam agora.
2- Segurança doutrinária – Mateus 24:24 diz que “surgirão falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.” Se eles conhecessem bem as doutrinas cristãs não seriam enganados por falsos mestres e isto os animava a perseverar no estudo da Palavra.
3- Para ensinar aos outros, o que Cristo havia ensinado – Mateus 28:20 diz: “ ensinando-os a guardar tudo o que vos tenho ensinado.” Aqui tem uma ordem de Cristo para que os discípulos fizessem com outros o que foi feito com eles. Os que aprenderam, agora, tinham a responsabilidade de passar para outros e foi graças a obediência de muitos que hoje nós conhecemos a Sã Doutrina. Cabe a nós darmos continuidade, com perseverança, a este ensino. Paulo também exorta seu discípulo Timóteo a fazer isto. “E o que de minha parte ouviste, através de muitas testemunhas, transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros” (2 Tm 2:2).
Como podemos aprender sobre a Bíblia e suas verdades? Perseverando no seu estudo. As falsas seitas doutrinam, muito bem, seus adeptos. E quando eles vêem nos catequizar, muitas vezes ficamos sem argumentos diante deles. Por quê? Por falta de conhecimento sólido, profundo e correto das doutrinas bíblicas. Porque isto acontece? Por falta de perseverança no estudo sistemático da Bíblia. Falta de perseverança na doutrina dos apóstolos.

• PERSEVERAVAM NA COMUNHÃO

Se é difícil em uma igreja do tamanho das que conhecemos hoje, manter a comunhão por causa da chamada “incompatibilidade de gênios”, imagine naquela igreja com 3 mil membros.
Em Tiago 4:1 o apóstolo questiona: “De onde procedem as guerras e contendas que há entre vós? Dos prazeres que militam em vossa carne”. Sentimos um incontrolável prazer em falar mal dos outros; em caluniar os outros; em odiar e nos vingar dos nossos ofensores. Fazemos estas coisas porque satisfaz nossa carne. Dá-nos prazer, mesmo sendo errado. Mas elas nos afastam uns dos outros.
A doutrina dos apóstolos ensinava sobre o amor ao próximo; a tolerância em relação aos inimigos; como lidar com a vingança; como lidar com o ódio, entre outros. E aquela congregação com quase 3 mil membros conhecia os perigos da falta de comunhão, bem como os seus benefícios. No Salmo 133 diz que é bom e agradável viverem unidos os irmãos. E no lugar onde há comunhão Deus ordena a benção e a vida para sempre. O contrário também é verdadeiro. Onde não há comunhão o ambiente fica insuportável, sem produção do fruto do Espírito Santo e o que é pior, Deus não ordena bênção nem vida. Por isso a igreja primitiva optou por perseverar na busca da comunhão.

• PERSEVERAVAM NO PARTIR DO PÃO

Em Atos 2: 45,46 diz que “Dividiam o que tinham com os necessitados”. Aquela igreja aprendeu sobre a vida em comunhão, agora estava pondo em prática. Isto também pode ser chamado de “Prática das Boas Obras”. Em Efésios 2:8 -10 diz que não fomos salvos pelas boas obras, mas PARA as boas obras.
Nos últimos mandatos presidenciais nós temos ouvido muito sobre os “descamisados”; “sem teto”; “sem terra”; “sem pão”; “sem outras coisas”. Governantes, entidades religiosas, empresários, líderes espirituais entre outros, têm tentado resolver uma parte dos problemas fazendo reforma agrária; ou mandando carretas cheias de alimento e roupas que logo acabam. São boas obras – “Ninguém pode negar.”
Talvez a sua igreja não tenha condições de praticar estas “boas obras“ e nem neste porte. Mas, há uma classe de pessoas que está sendo esquecida. E aqui a igreja pode fazer e fazer muito bem, que é resolver o problema dos “SEM CRISTO“ ou dos “SEM IGREJA.” Dividamos, pois, o pão espiritual com estes necessitados de Cristo e de Salvação.

• PERSEVERANÇA NA ORAÇÃO

O Apóstolo Tiago em 5:16 – Define a oração como uma poderosa arma. “Muito pode por sua eficácia a oração do justo.” De fato, a oração é a arma mais poderosa que Deus pôs na mão da igreja e o diabo sabe disto tanto sabe que vai impedir da igreja orar. De que forma ele tem impedido de sua igreja orar?
1. Uma igreja que ora muito é uma igreja que cresce muito;
2. Uma igreja que ora pouco é uma igreja que cresce pouco;
3. Uma igreja que não ora de jeito nenhum é uma igreja que não cresce de jeito nenhum
Não podemos ser testemunhas, nem fazer missões, nem fazer absolutamente nada no que diz respeito às coisas espirituais sem oração. João 15:5 Cristo diz: “sem mim nada podeis fazer”. Isto significa nada mesmo.

B – Em Atos 2: 47 diz que eles Louvavam a Deus

Louva-se a Deus por aquilo que ele fez, faz e fará. Aquela igreja reconhecia todos os benefícios recebidos do Senhor, não só espiritualmente como descrito em Efésios 1:3 em diante, mas também os benefícios materiais, pois os salvos distribuíam uns com os outros o que tinham, não faltando nada para a comunidade cristã.

C – Em Atos 2: 47 diz que eles davam bom testemunho

Aquela era uma igreja que contava com a simpatia dos demais. A vizinhança tinha prazer com a presença dela. A função de sal da terra e luz do mundo era exercida no meio da comunidade não cristã e isto lhe fazia bem. Não era difícil para aquela igreja pregar o evangelho de Cristo, pois viviam o cristianismo na sua íntegra. Então, era natural que a comunidade também, quisesse seguir este Cristo. E muitos foram salvos.

CONSEQUÊNCIAS ÓBVIAS DESTA FORMA DE VIDA
1. Liderança com poder – 2:43 “muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.”
2. Simpatia e respeito da comunidade – 2:47 “e contando com a simpatia de todo o povo.”
3. Salvação de vidas – 2:47 “Enquanto isto, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.”

CONCLUSÃO

A igreja primitiva perseverava na doutrina dos apóstolos; na comunhão; no partir do pão e nas orações. Como conseqüência deste compromisso “acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” (At 2: 47).
A igreja hodierna tem em mãos a receita bíblica para crescimento tanto em quantidade quanto em qualidade:
• Perseverar no estudo a Palavra de Deus de modo que estejamos aptos para ensinar a outros;
• Perseverar na comunhão entre os irmãos de modo que os que chegarem em nossas igrejas possam sentir que elas são diferente da sociedade em que viviam;
• Perseverar na prática das boas obras, boas ações, principalmente entre os “Sem Cristo” com o pão espiritual.
• Perseverar nas orações. Usar esta poderosa arma que Deus pôs em nossas mãos.
Os resultados, com certeza, virão. E, como na igreja primitiva, o Senhor salvará muitas vidas.

Amém!

Mana Lobão